Fall season 2009/2010 – Novas temporadas e novas séries

•agosto 18, 2009 • 1 Comentário

Montagem: Sanny Saraiva

Montagem: Sanny Saraiva

Os fanáticos pelos enlatados norte-americanos – aqueles mesmos, alienantes e tal – têm infinitas razões para intensificar a devoção às mais inusitadas e imprevisíveis histórias advindas das esquizofrênicas cabeças de roteiristas do Tio Sam. Desde o início de agosto, séries consagradas exibem suas novas temporadas e emissoras lançam novas produções, que já estreiam despontando como novidades no inóspito e disputado cenário do entretenimento televisivo.

Como já é conhecido, o gerenciador desta, por assim dizer, miscelânea midiática é um assumido e compulsivo fã das séries americanas e repudia qualquer hipócrita manifestação contrária, de famigerados arautos da razão, a essa predileção.

A exemplo do ano passado, quando expus minhas impressões acerca desse próspero período e descrevi algumas de minhas preferências, tecerei comentários sobre as  séries que acompanho religiosamente.

Fall Season 2009/2010

Domingo, 2 de Agosto

Defying Gravity, 1ª temporada (ABC)

Sexta, 7 de Agosto

Psych, 4ª temporada (USA)
Monk, 8ª temporada (USA)

Domingo, 16 de Agosto

Mad Men, 3ª temporada (AMC) – Infelizmente ainda não encontrei brecha em minha atribulada agenda de ócio criativo para acompanhar esta série. Mas, confesso, o fato de ela, não raro, abocanhar as principais estatuetas do Grammy e do Emmy desperta em mim certa curiosidade e vontade de agregar mais esta a minha extensa lista.

Quarta, 19 de Agosto

Top Chef, 6ª temporada (Bravo)

Quinta, 20 de Agosto

Project Runway, 6ª temporada (Lifetime)

31 de agosto

Greek, 3ª temporada (ABC Family) – Acompanho, entusiasticamente, a saga de Casey, Rusty e cia desde o início. Greek fora produzida para preencher buraco de programação, no canal ABC Family. No entanto, com um roteiro afiado e maroto, embora um tanto pueril, a série conquistou seu espaço e cativou um público-alvo específico. Para tanto, os responsáveis pelo seriado utilizaram-se de fórmulas consagradas – por vezes, batida – no intuito de estabelecer um padrão temático e constituir fiéis seguidores. A única ressalva que tenho em relação à essa terceira temporada, é o fato de a trama ter perdido sua vilã-mor, a ardilosa Frannie. Os roteiristas terão que se desdobrar para darem continuidade aos inusitados conflitos, outrora, ocasionados pela referida antagonista. No mais, a série tem tudo para emplacar mais uma bem-sucedida temporada.

Terça, 8 de Setembro

90210, 2ª temporada (CW)
Melrose Place (2009), 1ª temporada (CW)
Sons of Anarchy, 2ª temporada (FX)

Quarta, 9 de Setembro

America’s Next Top Model, 13ª temporada (CW)
Glee, 1ª temporada (FOX)

Quinta, 10 de Setembro

Supernatural, 5ª temporada (CW)
The Vampire Diaries, 1ª temporada (CW)

Segunda, 14 de setembro

Gossip Girl, 3ª temporada (CW) – Assim como já explicitei em algumas ocasiões, repito: Gossip Girl é a malhação de luxo dos nova-iorquinos. O roteiro é absurdamente superficial e, às vezes, de uma ingenuidade risível. Contudo, acredito que o glamour e os mistérios que circundam a vida dos personagens contribuem para que o congênere do seriado global se sobressaia em alguns aspectos. A famigerada temática de idas e vindas de casais, que, em tese, nasceram para ficarem juntos (Dan e Serena; Chuck e Blair), sempre proporciona bons momentos, além das armações dos autoproclamados antagonistas. A expectativa da temporada fica por conta do surgimento do meio-irmão de Dan e Serena.
The Jay Leno Show, 1ª temporada (NBC)

One Tree Hill, 7ª temporada (CW) – Dramalhão mexicano sem precedentes, que deixei de acompanhar há muito.

16 de Setembro

Bones, 5ª temporada (FOX)
Community, 1ª temporada (NBC)
Fringe
, 2ª temporada (FOX)
It’s Always Sunny in Philadelphia
, 5ª temporada (FX)
Parks and Recreation
, 2ª temporada (NBC)
Survivor: Samoa (CBS)
The Office, 6ª temporada (NBC) – Comédia sofisticada. Tão sofisticada a ponto de, em certos momentos, não ser engraçada. Acompanho-a esporadicamente, mas, normalmente rende cenas antológicas.

Domingo, 20 de Setembro

Curb Your Enthusiasm, 7ª temporada (HBO)
Bored to Death, 1ª temporada (HBO)

Segunda, 21 de Setembro

Accidentally on Purpose, 1ª temporada (CBS)
The Big Bang Theory, 3ª temporada (CBS)
Castle, 2ª temporada (ABC)
CSI: Miami, 8ª temporada (CBS)
Dancing With the Stars, 9ª temporada (ABC)
Heroes, 4ª temporada (NBC)
Two and a Half Men, 7ª temporada (CBS)

House, 6ª temporada (FOX)– Esta, certamente, está inclusa no meu Top Five de séries. É incrível a capacidade de David Shore e dos demais roteiristas deste aclamado seriado de se reinventar a cada nova temporada, reservando, sempre, situações absolutamente inesperadas. Falar da interpretação de Hugh Laurie é redundância, a julgar pela quantidade de indicações em Emmys e Grammys que ele conquistou. Na última temporada, havia o receio pela substituição da equipe do Dr. House, no entanto, o terrificante, degradante e genial processo seletivo imposto por House pulverizou qualquer preocupação acerca da troca de subalternos. Ao contrário, a modificação revitalizou a história e deu novo ritmo à trama. O único percalço fora a súbita saída do Kutner (Kal Penn), que, para os que ainda desconhecem, debandou da série em função de compromissos políticos assumidos com a gestão Obama. A despeito da próxima temporada, muitas surpresas aguardam o séquito de fanáticos seguidores do seriado, a começar pela estadia de House em uma clínica psiquiátrica.

How I Met Your Mother, 5ª temporada (CBS) – Atualmente, esta é a minha série de comédia predileta, ao lado de 30 Rock. É impossível não se entregar às desventuras de Ted Mosby para encontrar a mãe de seus filhos e às inapeláveis, por vezes rascantes, encrencas que seus amigos Marshall, Robin, Lily e Barney se metem. Em sua quinta temporada, parece que finalmente contemplaremos os decisivos momentos que culminarão no esperado encontro da mulher que se casará com Tedy e, com ele, terá dois filhos.

Terça, 22 de Setembro

The Forgotten, 1ª temporada (ABC)
The Good Wife, 1ª temporada (CBS)
NCIS, 7ª temporada (CBS)
NCIS: Los Angeles, 1ª temporada (CBS)

Quarta, 23 de Setembro

Cougar Town, 1ª temporada (ABC)
Criminal Minds, 5ª temporada (CBS)
CSI: NY, 6ª temporada (CBS)
Eastwick, 1ª temporada (ABC)
Gary Unmarried, 2ª temporada (CBS)
Law & Order: Special Victims Unit, 11ª temporada (NBC)
Modern Family, 1ª temporada (ABC)
The New Adventures of Old Christine, 5ª temporada (CBS) – Outra que acompanho bem tangencialmente, mas, que, sempre, acabo gostando.
Parenthood, 1ª temporada (NBC)

Quinta, 24 de Setembro

CSI: Crime Scene Investigation, 10ª temporada (CBS)
Flash Forward, 1ª temporada (ABC)
Grey’s Anatomy, 6 ª temporada (ABC)
The Mentalist
, 2ª temporada (CBS)

Sexta, 25 de Setembro

Brothers, 1ª temporada (FOX)
Dollhouse, 2ª temporada (FOX)
Ghost Whisperer, 5ª temporada (CBS)
Law & Order, 20ª temporada (NBC)
Medium, 6ª temporada (CBS)
Numb3rs, 6ª temporada (CBS)

Smallville, 9ª temporada (CW) – Os fãs do super boy que me perdoem, mas, com a saída de Lana e Lex da trama, esta série perdeu a razão de ser e de existir. Simplesmente a ignorei e a deixei de lado. Em minha opinião, Smallville clama por um final digno, o quanto antes. Não há mais fôlego para sua continuidade.

Southland, 2ª temporada (NBC)

Sábado, 26 de Setembro

Saturday Night Live, 35ª temporada (NBC)

Domingo, 27 de Setembro

The Amazing Race, 15ª temporada (CBS)
American Dad, 5ª temporada (FOX)

Brothers & Sisters, 4ª temporada (ABC) – Atualmente, esta atração é, sem sombra de dúvida, a minha predileta. É simplesmente impossível não se sensibilizar diante do carisma que emana naturalmente da família Walker. Sally Field está sensacional como matriarca de uma gigantesca e pródiga prole. Seus cinco filhos, todos eles com características absurdamente únicas, proporcionam momentos de descontração, drama, comédia e suspense, sempre mantendo uma verossimilhança assustadora com os hábitos familiares. Em dados momentos, a comunhão dos personagens é tamanha, que facilmente somos transportados a um plano no qual, ilusoriamente, pensamos que eles realmente fazem parte de uma mesma família. A depender da sua situação emocional, é provável que, em algum momento desta série, você já tenha ansiado ter uma mãe tal como a Nora; uma astuta irmã, como a Kitty; ou cálida, como a Sarah; ou um perspicaz, como o Kevin. Enfim, sou fã incondicional desta brilhante produção e faço votos de que sua vida útil se estenda por muitos e produtivos anos.

Californication
, 3ª temporada (Showtime) – Aguardo ansiosamente – quase em cólicas – pela terceira temporada desta série. Com um roteiro sagaz, ágil e despudorado, Californication é uma das séries mais inovadoras da atualidade. É inevitável não torcer pelo protagonista, o escritor Hank Moody (David Duchovny), ante as agruras impostas pela vida em função de decisões equivocadas. Todos os personagens são essencialmente peculiares e marcantes. Becca, a filha de Hank; Karen, a ex; Charlie, o agente; Mia, a ninfeta; e Marcy, mulher de Charlie. Esta nova fase mostrará o dia a dia de pai (Hank) e filha (Becca), agora, morando juntos, já que a mãe, Karen, foi para Nova York.

The Cleveland Show, 1ª temporada (FOX)
Cold Case, 7ª temporada (CBS)

Desperate Housewives, 6ª temporada (ABC) – A última temporada terminou de forma eletrizante, com a morte de Edie, a volta de Susan e Mike, a derrocada de Dave, a nova gravidez de Lynette Scavo e muito mais. São premissas auspiciosas que permitem que vislumbremos uma nova etapa em Wisteria Lane, repleta de situações inusitadas, dramas, comédia, surpresas. A exemplo do roteiro inventivo de House, Desperate Housewives adentra à sua sexta temporada com fôlego de sobra e muitas histórias para se explorar. Mais uma vez, certamente, seremos presenteados com um show de interpretação das quatro protagonistas deste seriado, que também habita a lista do meu Top Five.

Dexter, 4ª temporada (Showtime) – Como um serial-killer reage ante a paternidade? Esta é a pergunta que todos os fãs de Dexter estão se fazendo no momento, às vésperas de a quarta temporada inaugurar os trabalhos. Provavelmente este será o mote que norteará as ações da nova fase de Dexter, uma série instigante e envolvente, haja vista a dose de tensão e suspense que permeia todas as situações. O elenco é afiadíssimo e Michael C. Hall incorpora o protagonista de forma visceral. A depender da situação, é quase impossível cerrar os olhos durante um episódio sob risco de se perder algum detalhe determinante para os rumos da trama.

Family Guy, 8ª temporada (FOX)

The Simpsons, 21ª temporada (FOX) – Tenho sido uma ovelha desgarrada deste decano das séries. Mas, faço questão de ressaltar, ainda compartilho da ideia de vitaliciedade a esta sensacional produção.

Segunda, 28 de Setembro

Lie to Me, 2ª temporada (FOX)
Trauma, 1ª temporada (NBC)

Quarta, 30 de Setembro

Hank, 1ª temporada (ABC)
The Middle, 1ª temporada (ABC)

Quinta, 1º de Outubro

Private Practice, 3ª temporada (ABC)

Sexta, 2 de Outubro

‘Til Death, 4ª temporada (FOX)
Stargate Universe, 1ª temporada (Syfy)

Terça, 6 de Outubro

Scare Tactics, 1ª temporada (Syfy)

Nip/Tuck, 6ª temporada (FX) – Acompanho Nip Tuck desde o início. Assisti a todas as cinco temporadas e, portanto, posso afirma com propriedade que esta série descambou para o lado circense (ridículo). Os dramas e tragédias se potencializaram de tal modo que se tornaram cômicos. Os inesperados destinos de Sean e Cristian desagradaram a todos – sem falar da Julia. Não é que a série tenha perdido o fôlego, mas, sim, o fio da meada. Até pouco tempo atrás, considerava-a inovadora por explorar temas intocados, porém, agora, para mim, ela não passa de mais uma produção banal que aborda questões superficiais, sem a menor importância.

Quarta, 7 de Outubro

South Park, 13ª temporada (Comedy Central)

Sexta, 9 de Outubro

Sanctuary, 1ª temporada (Syfy)
Ugly Betty, 4ª temporada (ABC)

Quinta, 15 de Outubro

30 Rock, 4ª temporada (NBC) – Destaco dois pontos principais desta série genial e, por vezes, incompreendida: o roteiro e os atores. O texto é de uma primazia e agilidade inquestionável, com sacadas atuais e sagazes. A atuação de todo o elenco é impecável – diria impagável. Há uma sintonia singular entre todos. A relação entre Liz e Jack é indescritivelmente cômica. Os demais personagens compõem uma confraria de humor extremamente refinado: Tracy é hilário; a Jena, indefectível; e o Kenneth, surreal. No seu terceiro ano, 30 Rock continuará a exibir as investidas de Jack em sua mesopotâmica missão de ascender ao cargo máximo da NBC; as peripécias da vida privada de Liz Lemon; e as mazelas da intrépida trupe do mais improvável programa de TV.

Terça, 3 de Novembro

V, 1ª temporada (ABC)

2010 – Estreias e séries confirmadas

Caprica, 1ª temporada – 22 de Janeiro
24, 8ª temporada – Janeiro
American Idol, 9ª temporada – Janeiro
LOST, 6ª temporada – Janeiro
Damages, 3ª temporada – Sem data confirmada
Breaking Bad, 3ª temporada – Sem data confirmada

Chuck, 3ª temporada – Sem data confirmada – Sou um apaixonado inveterado pelas maluquices de Chuck e da sua destemida equipe de agentes secretos do governo norte-americano. Surpreendentemente, em vias de iniciar sua terceira temporada, Chuck ainda não caiu no gosto popular. Uma pena, pois suas histórias são envolventes, intrigantes e geram incontáveis expectativas acerca do futuro do Intersect, da relação de Chuck com Sarah e das mazelas vivenciadas na Buy More. Nesse novo ano, a apreensão dos fãs da série reside em dois pontos: quais serão os desdobramentos das novas habilidades adquiridas pelo personagem principal; e se essa será será a derradeira temporada da série, uma vez que seus produtores já deram mostras de que não estão satisfeitos com o desempenho da produção em termos de audiência.

Party Down, 2ª temporada – Sem data confirmada
Royal Pains, 2ª temporada – Sem data confirmada
Burn Notice, 4ª temporada – Sem data confirmada

Weeds, 6ª temporada – Sem data confirmada – Comecei a acompanhá-la há pouco, no entanto, já reuni subsídios suficientes para constatar de que se trata de uma série imperdível. A temática é inovadora – rompe uma série de tabus e paradigmas, por tocar em um assunto normalmente posto de lado em sociedades permeadas pela hipocrisia moral (maconha). A protagonista Nancy é apaixonante e seus complexos filhos, encantadores.

Big Love, 4ª temporada – Sem data confirmada
Dexter, 5ª temporada – Sem data confirmada
Entourage, 7ª temporada – Sem data confirmada

Hung, 2ª temporada – Sem data confirmada – Atualmente, Hung está próxima do final de sua temporada inaugural. À primeira vista, a série é aviltante; traz para os nossos lares um tema árido, nem um pouco frugal, de difícil absorção. Porém, com o desenrolar da trama, o telespectador acaba desenvolvendo uma grande empatia com o personagem principal, Richard. A despeito da premissa inicial do seriado, que, para os desavisados, pode soar como pornográfica, os roteiristas conduzem a questão da exploração do dote fálico do protagonista de maneira sutil e bem real. Portanto, não há motivos para temer possíveis cenas cujo mote lascivo possa ferir os princípios de ditos puritanos.

True Blood, 3ª temporada – Sem data confirmada – Como abordar a temática de vampiros sem descambar para o ridículo, a fanfarronice e a bizarrice? Longe de ser a panacéia das produções artísticas desse segmento, True Blood surgiu com uma poesia contemporânea inserida nesse contexto de vampiros. Há momentos, sim, em que há certa apelação, mas, nunca, de forma ridícula. A interpretação de Anna Paquin, como Sookie, é visceral, intensa e extremamente convincente. Há de se ressaltar, também, a peculiar beleza da referida protagonista. Agora, sei que serei alvo de críticas, Stephen Moyer, como Bill, deixa muito a desejar, sobretudo em cenas que demandam maior expressividade e elevadas doses de drama. Falo isso mesmo levando em conta que o personagem de um vampiro milenar deve ser de uma impassibilidade marmórea quase inexorável, mas, ainda assim, Stephen se perde na tentativa de transparecer uma aura austera. Os demais personagens dão um verdadeiro show: Jason, Sam, Tara, Lafayette, entre outros. A série está no auge de sua segunda temporada e, portanto, seria incoerente de minha parte projetar a terceira, sendo que muitas incógnitas ainda estão por se descortinar.

Friday Night Lights, 4ª temporada – Sem data confirmada
Friday Night Lights, 5ª temporada – Sem data confirmada
Nurse Jackie, 2ª temporada – Sem data confirmada
Scrubs, 9ª temporada – Sem data confirmada
United States of Tara, 2ª temporada – Sem data confirmada
Happy Town, 1ª temporada – Sem data confirmada
In Plain Sight, 3ª temporada – Sem data confirmada

Das novidades do primeiro semestre deste ano, a única que aparentemente não emplacou foi: Mental. O que não representa nenhuma surpresa, já que, assim como mencionei em outra oportunidade, a série já iniciara suas atividades com uma mácula: roteiro batido – clínica, médicos, casos quase impossíveis, destemida equipe, doutor rompedor de paradigmas e eticamente questionável.

Para finalizar este imenso post, gostaria de acrescentar a essa pródiga lista de produções, a série The Diary of Anne Frank, produzida pela BBC de Londres. Dividida em cinco emocionantes episódios, a trama é baseada no diário da menina judia Anne Frank que, ao lado de sua família e outros judeus, viveu reclusa por dois anos num sótão de um prédio, na Holanda, durante a Segunda Guerra Mundial. Durante essa estadia, Anne compôs um diário, com esmero e destreza gramatical digna de grandes escritores, contendo relatos sobre o dia a dia naquele lugar e as impressões que tinha acerca dos outros e das relações que matinha. Após deflagrado o esconderijo e Anne e sua família serem levadas a campos de concentração, o diário fora encontrado por uma amiga e, posteriormente, publicado, tornando-se um Best-Seller, traduzido para diversos idiomas. Na série, é espantosa semelhança da garota que interpreta Anne com a real. O elenco, correto e irrepreensível, consegue traduzir perfeitamente o terror e o pânico os quais a família fora submetida à época.

Impressões de um apetitoso domingo esportivo

•julho 27, 2009 • Deixe um comentário

domingo_esporte

Em diversos diálogos estabelecidos nos templos da sabedoria popular – os bares – já revelei minha controversa e, por vezes, contestada posição em relação aos domingos. Nela, defendo a tese de que eles dependem estritamente dos esportes para emplacar verdadeiros momentos de lazer, permeados pela emoção, entrega e revolta. Todos esses elementos compõem uma sinestesia dominical única! E nesse último domingo (26) não fora diferente. Sobraram irresistíveis opções e incontidas sensações para os patológicos amantes, como eu, do esporte em seu religioso dia de consagração.

O dia começara fulgurante e vívido, com mais uma impactante e tocante matéria de Régis Resing (Esporte Espetacular/Globo), da série sobre a relação do esporte com nações assoladas por guerras. Dessa vez, o experiente repórter incursionou pelo inóspito território do mais miserável dos países americanos, Haiti. A condução foi genial, sem descambar para o sensacionalismo. Jornalista e cinegrafista  acertaram em cheio ao buscar uma linha visceralmente humana em textos e imagens. A edição, de uma primazia e humanidade incontestes, correspondeu perfeitamente  à proposta da pauta. Tolos os que enquadram o esporte a nichos e setores sociais irrelevantes. Assumir tal postura é vendar os olhos para um instrumento capaz de mobilizar nações, paralisar conflitos (mesmo que momentaneamente), promover inclusão social e revolucionar o cotidiano de pessoas desprovidas de quaisquer oportunidades de ascensão.

O dia só estava começando. O início da tarde fora marcado por inúmeras finais do mundial de esportes aquáticos – realizado em Roma. Eis mais um chamariz para incontáveis surpresas e frustrações. O revezamento 4×100 brasileiro nos deixou a sensação de que poderíamos ter ido mais longe, contudo, a participação de Cielo, embora efêmera, fora suficiente para entusiasmar até os mais céticos em relação às possibilidades de o brasileiro superar o extraterrestre Michael Phelps. Fica também a expectativa para que Henrique Barbosa, Felipe França e cia cumpram um honroso papel nas águas romanas.

Muitas emoções ainda estavam por se descortinar nesse profícuo dia esportivo. A começar pela sensacional disputa pelo título da Liga Mundial de Vôlei. Novamente, contemplamos uma aula de fundamentos da categoria. Oitavo título brasileiro, dessa vez, ante os sérvios, e uma constatação: Bernardinho é um excepcional profissional. Um ano após a ESPERADA derrota para os ianques em Pequim, o técnico se reergueu, renovou o grupo e abriu espaço a novos valores, que, vale frisar, já brilhavam há tempos em seus clubes, como os casos de Sidão, Lucas, Vissoto, Rivaldo e Thiago Alves. Há de se ressaltar a reafirmação de Giba e, principalmente, de Murilo – este se revelou um monstro em quadra: ataque eficiente, incríveis reflexos na defesa e saque destruidor. E por falar neste fundamento, a nítida evolução do saque brasileiro desvela a destreza de Bernardinho. Quando das duas derrotas, no ano passado, para a seleção norte-americana (Liga Mundial e Olimpíadas), este fora o diferencial a favor dos nossos adversários – ainda lembro com pesar das pancadas de Stanley, sem falar das geniais levantadas de Bowl. Bernardo conseguiu trabalhar para sanar a deficiência e não só a eliminou como transformara a seleção numa potência do segmento, tendo no saque um decisivo ponto, além da já conhecida consistência defensiva e os arrebatadores ataques. Bruninho definitivamente encontrou seu jogo e, por consequencia, o tempo dos seus companheiros. Escadinha é simplesmente inexpugnável – eleito, justamente, o melhor jogador da Liga. Enfim, depois de uma pequena janela de supremacia norte-americana, ameaçando a hegemonia tupiniquim, o Brasil retoma o posto de melhor seleção do mundo. No entanto, é importante ficar atento à seleção russa, que, independentemente de seu desempenho no torneio, tem em mãos um excepcional elenco, carecendo apenas de um bom líbero e um levantador mais preciso.

No campo futebolístico, a festa foi alviverde e, por extensão, minha. Com o estupendo Pierre, o ótimo Edmilson e a revelação Souza no meio de campo, o Palmeiras tragou o Corinthians, que, com Ronaldo contundido à metade do primeiro tempo, sucumbira à eficiente marcação palestrina. O ataque, deveras questionado desde a conturbada saída de Keirrison e a inusitada chegada de Obina, reservou a mais grata surpresa do domingo. O ex-flamenguista Obina demonstrou o oportunismo exigido dos atacantes, fazendo as vezes de fenômeno, mesmo cometendo algumas falhas bizarras. Com o resultado, os palmeirenses ampliaram a vantagem sobre os gambás: há quase três anos o Corinthians não supera o Palmeiras e, nesse período, só conseguiu estufar as redes alviverdes em apenas uma ocasião, ou seja, fregueses de carteirinha. Muitos serão os arautos da razão a justificarem o placar em função das ausências de Cristian e André Santos. Não importa, ainda assim foi um “vareio”. Agora, alarido estérico posto de lado, é fundamental que o Palmeiras reforce seu ataque. Obina e Ortigoza, sozinhos, não darão conta da demanda requerida para um campeonato tão longo quanto o brasileiro. Acredito que a carência é visível apenas nesse setor – as laterais com Armero e Wendel, aos poucos, estão se encaixando; a zaga finalmente se consolidou; e o meio ofensivo com Diego Souza e Cleiton Xavier é extremamente criativo e entrosado. Por fim, Muricy chega para somar uma vasta experiência, com um toque de carisma, a esse promissor grupo.

A cereja dominical, que, aliás, finaliza todos os domingos esportivos, é a apresentação dos gols da rodada com Tadeu Schmidt no Fantástico. Com uma linguagem informal e cômica, o repórter conseguira transfigurar a imagem machista do futebol e de esportes em geral junto às mulheres, além de idosos e crianças, transformando o momento em um dos mais esperados pelo público. Por mais que me critiquem em virtude desse escancarado “merchan” da Globo, confesso que, ao fim do clássico paulista, com os três gols de Obina, imaginei qual seria a trilha sonora escolhida pelo artilheiro para embalar seus gols – costume já incorporado ao povão que acompanha o programa. A interatividade proposta pelos quadros Bola Cheia e Murcha também merecem destaque.

Portanto, a relação entre esporte e domingo é quase siamesa. Um depende do outro para alcançar mais brilhantismo e imponentes momentos de lazer. Do contrário, o que seriam de nossas manhãs sem os outros esportes e, principalmente, das tardes sem o futebol? Respondo: pelo menos o televisivo seria uma tragédia grega, com os canhões de Gugu, Faustão, Eliana e cia apontados para nossas cabeças, prestes a explodi-las.

Diego Gomes

Eternizando um ídolo

•julho 19, 2009 • 1 Comentário

mj_blog

Ainda sob a eiva do bombardeio midiático em referência à afanada morte de Michael Jackson, esta semana alguns reflexos concretos da fatalidade aportaram em meu cotidiano e despertaram-me algumas pontuais dúvidas. Eis os fatos: certo dia, a caminho do trabalho, deparei-me com uma criança, de aproximadamente cinco anos, entoando – com propriedade adquirida – o emblemático single Thriller. E mais: numa outra circunstância, ao chegar em casa, constatei que sempre (?) dividira espaço com uma fã inveterada do ídolo pop, uma vez que, repentinamente, surgiu no quarto de minha irmã a discográfica completa do astro controvertido, além de uma volumosa e pomposa biografia. Soma-se ao meu espanto o fato de que em uma semana (a posterior ao lúgubre anúncio) 12 milhões de cópias de álbuns do astro tenham sido comercializadas – um indiscutível recorde para a atual conjuntura da indústria fonográfica e, por extensão, da economia mundial. Então, o que explicaria esse fenômeno? Adiante!

Em conversas com amigos, tentei reunir algumas teorias que justificassem tal anacronismo. A primeira (e óbvia) consiste no papel desempenhado pela mídia nos desdobramentos da conturbada morte. Além de, a todo instante, suscitar dúvidas relacionadas às reais causas do óbito, os meios de comunicação reavivaram toda a obra da estrela reluzente que um dia Michael fora – até então ele estava mais para uma estrela DEcadente –, veiculando “narcotizantemente” os grandes hits e suas espetaculares performances. Isso despertou a nostalgia em muitos de seus antigos fãs e contribuiu para uma espécie de proselitismo de milhares (ou milhões) de novos fanáticos. Pessoas que nem sequer acompanharam a carreira e, tampouco, têm noção do que sua ascensão representou para a história da música.

Uma teoria serve de alicerce às demais. A partir dessa nova agenda imposta pelos veículos de comunicação, formou-se uma legião de potenciais compradores motivados por aspectos distintos, mas que, no frigir dos ovos, são convergentes. O primeiro aspecto reside no fato de, embora MJ estivesse em um longo período de ostracismo, este estava em vias de ingressar numa milionária turnê pela terra da rainha, o que gerou grande expectativa entre os seus seguidores. Desta feita, ao falecer antes da realização do esperado evento, eternizaram-se as possibilidades, tal como ocorre quando ídolos morrem no auge de suas carreiras. Tomemos como subsídios os casos de Kurt Cobain, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Elis Regina, Mamonas Assassinas, Jim Morrison… Estas legendas do show business foram alçadas máximos limites do estrelato ante suas precoces mortes. Claro que o caso de Michael se distingue dos citados acima por algumas peculiaridades marcantes, principalmente pela entressafra que atravessava e por sua idade, mas, insere-se no grupo ao indicarmos os hiperbólicos números envolvidos desde o trágico anúncio.

Também há aqueles que, movidos por um fetichismo mórbido, querem a todo custo adquirir mínimas amostras de uma obra que, futuramente, poderá vir a se tornar relíquia. Ou seja, partem do principio de que ostentar a discografia ou até mesmo um único (redundante?) álbum daquele que misteriosamente morrera e que é considerado o último dos moicanos da seara de grandes ícones da historia da música – os que influenciaram gerações, inspiraram movimentos e ditaram tendências – constitui prática inovadora e visionária.

Muitas são as teses para justificar o estrondoso boom de vendas e o surgimento de debutantes apaixonados pelo astro ocasionados por sua etérea (!) morte. Contudo, o correto é  afirmar que nenhuma dessas questões seriam postas em discussão caso o objeto de análise não fosse uma personalidade singular e histórica. MJ se foi e deixara de luto uma legião de seguidores que, anotem!, jamais será vista em uma contemporaneidade cuja apoteose da internet e da convergência midiática integra a realidade, e, a cada dia,  novas tribos, ídolos e segmentos sao instituídos. Sim, ele realmente fora o último dos moicanos.

Diego Gomes

O famigerado papelucho

•julho 1, 2009 • 2 Comentários

diploma_jornalista

Após incontáveis atos [dos outros] de insatisfação e repúdio ante a decisão do STF de suspender a obrigatoriedade da exigência do diploma para o exercício da carreira de jornalista, enfim, atrevo-me a expor minhas impressões acerca do afanoso tema. Fiquem tranquilos, pois, não engrossarei a massa de inacreditáveis querelas e chorumelas, tampouco perderei tempo enumerando-as. Meu discurso consiste em duas linhas principais: analisar as possíveis vantagens que tal decisão carrega consigo; e levantar alguns questionamentos sobre as reais causas que motivaram a ação dos ministros.

A critério de informação, deixo claro que me posiciono favoravelmente à decisão. Contudo, acredito que, antes de uma discussão relacionada à obrigatoriedade ou não do diploma, deveríamos ter debatido a regulamentação da profissão e, por consequência, do curso de jornalismo. No caso do primeiro, seria fundamental definir o papel social de um jornalista; estabelecer condições dignas de trabalho; e debater as linhas editorias esdrúxulas que atropelam todo e qualquer princípio dos mais experientes profissionais.

Quanto à academia, é essencial, de uma vez por todas, talvez este seja o momento, instituir o real objeto de estudo, afinal, o que aprendemos na faculdade de jornalismo? Somos expostos a uma ciência? Semiologia? Meras técnicas? O lamentável discurso de que nela apreendemos os princípios de ética é absolutamente infundado e de uma incivilidade e ignorância secular. Ética constitui ações e sensos relacionados aos valores e à cidadania. Seus princípios devem nortear e permear não só os comunicadores sociais como todos os profissionais das mais diversas áreas de atuação.

Em tempo, ao partir do pressuposto da ausência de uma ciência no jornalismo, logo, desnuda-se uma irrefutável questão: O que impede um indivíduo autodidata, que domina as sinuosas agruras retóricas, detém as noções de estruturação de noticias, avalia corretamente os etéreos graus de noticiabilidade de enveredar pela seara do fazer jornalístico?

Legal

A proliferação de manifestos e atos públicos constitui iniciativas ineptas perante a posição assumida pela instância máxima do judiciário brasileiro. Explico: pela minha parca bagagem de direito, acredito que tal decisão é irrevogável, a menos que surja algum fato completamente novo para que haja uma provocação junto ao STF e, assim, sejam retomadas as discussões, o que, até o momento, não e o caso. Qualquer tentativa de implementação de projeto de lei ou de PEC é nula, uma vez que, durante a tramitação, quando do confronto com a Comissão de Constituição e Justiça, a iniciativa seria vetada.
Corrijam-me se estiver cometendo uma sandice.

Novo cenário

Podemos encarar a ocasião com uma oportunidade ímpar para realizar uma verdadeira peneirada no curso de jornalismo; separar o joio do trigo. Longe de ser a exceção, a regra das atuais academias é pontuada, principalmente, pela presença de pessoas em busca de status e autoafirmação, assegurando, assim, a exaltação de seus espíritos incontidos de pavões. A decisão certamente desmotivará seres que se valem do papelucho para puro e simplesmente ascender socialmente. Agora – espero! – predominarão aqueles que realmente anseiam por uma profícua capacitação; e extrair os difusos (e necessários) ensinamentos universitários, convertendo-os em requisitos adicionais para suas promissoras carreiras.

Os afetados

De gerentes do Eldorado em absoluta ascensão a donos de instituições que dispõem de cursos com uma, inicial, queda na demanda. Este será o destino dos mantenedores de universidades privadas de jornalismo. Portanto,  em minha nenhum-pouco-turvada visão,  os únicos afetados diretamente pela decisão.

Motes

Contudo, há de se levar em consideração os fatores que motivaram Gilmar Mendes e, por consequencia, os sete ministros a assumirem a polêmica posição. Tenho sérias restrições à pessoa e ao político que o presidente do STF representa. Além de manter um aterrador cenário de velho oeste no município de Diamantino, com, inclusive, verdadeiros capangas, vossa excelência mato-grossense estabelece há muito uma relação arisca e hostil com os jornalistas brasileiros. Provavelmente, envenenado pela cólera, Gilmar quis engendrar uma medida que desprestigiasse a categoria. O que me intriga é a participação dos demais ministros. Mas isso é pauta para outros desdobramentos.

Sanha virulenta

Da mesma forma que contesto os subterfúgios forjados pelo Supremo [na figura de seu chefe-mor] para justificar a postura, critico a horda de acéfalos que brada a plenos pulmões sua contrariedade à decisão, sem nem ao menos compor uma argumentação salutar. Essa categoria apenas se fia na tese de que o papelucho iria assegurar sucesso e valorosas vagas de trabalho, bem como fomentar profissionais ilibados. Poupe-me! Não passa de um corporativismo fajuto. Todos esses apedeutas estão apenas preocupados com uma reserva de mercado que, sim, fere os preceitos constitucionais de direito de expressão; aflitos pela temerária concorrência! Se você perdeu o cargo de âncora de um telejornal para um sociólogo, revolte-se, revire-se, esperneie, porque isso demonstra que você não tem competência suficiente para ocupar a vaga, diferentemente do alcunhado de gaiato.

Em meio à profusão de funções ingratas, que corriqueiramente desprestigiam seus seguidores, o jornalismo desponta como um exílio laboral. A exemplo de países desenvolvidos, a comunicação social brasileira empresta singularidade a uma profissão que valoriza o talento; o dom, por mais clichê que pareça. Muitos serão os arautos que declararão que tal decisão favorecerá o monopólio midiático, sobretudo em veículos de longínquas regiões, com a contratação de jagunços para o tratamento de notícias, seguindo os interesses de seus chefes. Quanta hipocrisia! Como se isso já não ocorresse.  Porém, não de todo. Acredito que instituições sérias jamais poriam seus nomes em xeque, incorporando pessoas incapazes a seus quadros de funcionários para, simplesmente, economizar na folha de pagamento. Claro! Ninguém atenta para o fato de que se algum veículo lançar mão desse recurso, a debandada comercial será inevitável. Ou será que empresas desejarão ter suas marcas associadas a páginas ou VTs capitaneados por incompetentes de carteirinha?

Em suma, assim como a publicidade brasileira que esbanja produtividade, sem a exigência do malfadado papelucho, o jornalismo tupiniquim sobreviverá, sem muitas sequelas, mesmo que clamando por regulamentação.

Diego Gomes

Everyboby is filhos de God; Everybody is filhos de Gandhi

•junho 8, 2009 • Deixe um comentário

I-467-0250

“O mundo é pequeno pra caramba. Tem alemão, italiano, italiana. O mundo filé milanesa. Tem coreano, japonês, japonesa. O mundo é uma salada russa. Tem nego da Pérsia, tem nego da Prússia. O mundo é uma esfiha de carne. Tem nego do Zâmbia, tem nego do Zaire…”. Às inusitadas impressões de André Albujanra, imortalizadas pela voz de Moska, acrescentaria o fato de que a roda vida da humanidade não para, não pausa, não finda; inventa-se; reinventa-se; descobre-se; redescobre-se.

Air France conheceu as raras agruras da exatidão tecnológica. O impossível tomou ares de indomável e irremediável. Especialistas, autoridades e simples observadores despendem incalculáveis esforços para compreender o inesperado. O sentimento de contrição une soberbos franceses a transtornados brasileiros, filipinos, argentinos, norte-americanos…

Barcelona, Internacional, Cruzeiro, Corinthians e Flamengo, guardadas as devidas e compulsórias proporções, emprestaram a seus fiéis seguidores entusiásticos momentos de euforia. O de Catalão impressionou o mundo e consolidou sua arte rupestre da contemporaneidade. A raposa, como de praxe, fez o dever de casa. Ronaldo Futebol Clube suou, vibrou e queimou em meio às labaredas dos holofotes. O Carioca reviveu o déjà vu fluminense e repatriou um problema. Adiante: Como define Nietzsche, o resto é a humanidade – o claudicante Palmeiras, mesmo sob maléficas investidas de vodus, como Obina e cia, subsiste na América, graças a um santo; o cruzmaltino da Colina já iniciou seu périplo futebolístico na sôfrega segunda divisão; e por falar na sub-elite, os ucranianos também festejaram no velho continente.

Cannes celebrou a xenofilia. O globalizado festival contemplou produções de diretores russos, romenos, gregos, filipinos, chineses, japoneses, palestinos, iranianos, franceses, italianos, alemães, austríacos, americanos, brasileiros, argentinos… Reuniu cinéfilos das mais remotas regiões do globo em um mesmo circuito pluralista, culturalmente falando. Teve anticristo, Coppola, vampiros, Almodóvar, nazistas, Woodstock, clandestinidade cinematográfica, gays. As palmas, inclusive a mais ambicionada, consagraram um sombrio e atordoante austríaco.

Dilma Rousseff – a dita dura, que, na realidade, revelou-se branda. Principal postulante comunista (?) ao cargo supremo da República, a mulher de aço não foi detida sequer pelos acintosos golpes desferidos pela própria natureza. A mãe do PACtóide segue, mesmo que um tanto trôpega, rumo ao seu enigmático destino político. Mais desdobramentos poderão ser acompanhados nos sucessivos programas eleitorais que, enganam-se os que partilham de pensamento distinto, já estão sendo vivenciados, veiculados e repercutidos.

Enchentes no norte e nordeste proporcionam aos brasileiros um espetáculo paradoxal. Aqueles que ansiavam o salvador líquido padecem do seu excesso. A redenção agora reprime. O sonho se transfigurou em um incontrolável pesadelo.

Fernando Lugo demonstrou fertilidade irrefreável, digna de visceral inveja – até mesmo aos integrantes da família Leporídeos. O Cristianismo agoniza pelo látego de seus próprios dogmas. A ambição e o indomável egoísmo do passado ditam divergentes rumos à religião que, normalmente, deturpa-se e envenena os que nela buscam o exílio.

Gripe Suína aterrorizou. Destruidoras pandemias pregressas foram rememoradas. Inevitáveis parâmetros vieram à tona. O bombardeio midiático acarretou uma epidemia de temores. Ao final, o bicho não era de sete cabeças e, com ou sem terror, os baianos continuam a sofrer com o ser abissal – adormecido? – alimentado pelo Aedes.

Heath Ledger foi eternizado. Em sua ultima aparição, o exitoso triunfo. O mais charmoso festival escrevera o nome do cowboy controvertido no hall dos gênios incompreendidos. A sinestesia do momento contribuiu para conferir a devida homenagem ao ator.

Impunidade é a constante e recorrente pauta do Congresso Nacional tupiniquim. Farra das passagens aéreas. Castelos nenhum pouco encantados. Representantes do povo se lixando para opinião daqueles que os mantém. Líderes de estados sendo, justificadamente, destituídos de seus postos. Os brasileiros contemplam a politicagem praticada aqui com sinuosos e arredondados narizes vermelhos, sob um multicolor (e assustador) céu de picadeiro – longe do puro azul anil. Enquanto isso, mesmo com fogo cruzado do ministro Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e seus capangas gozam de um velho oeste todo ele peculiar.

Jason Button é supremo. O novo par da realiza britânica desempenha inconteste campanha no mundial marcado pelas polêmicas, no qual a amadora brilha e as consagradas amargam o ostracismo. E o Rubinho, infelizmente, será sempre o Rubinho.

K. – O libanês que colocou Brasil na pródiga rota do terrorismo internacional. A consoante teria supostamente ligação com a temida Al Qaeda. Para evitar que a terra do terrorismo social se torne uma hospedeira de ameaças à “conturbada” paz mundial, ardorosas movimentações políticas vêm sendo mantidas para definir o errante destino do andarilho das arábias.

Lei de imprensa revogada e uma torrente de ações contra jornalistas sucumbem a uma espécie de crise de identidade, ou, a grosso modo, vão para o buraco negro da informação (vácuo). O próximo round da disputa, a ser travado na Suprema Corte brasileira, é a decisão concernente à obrigatoriedade do diploma para jornalistas.

Maísa é vitima da estupidez e ganância de seus pais e de seu bizarro patrão. Não impuseram limites à menina, eis a sua precoce perdição. De súbito, seu subconsciente implora por uma infância digna. Há tempos a fabulação deixou essa representação, o que, escancaradamente, desvela-se um personagem clamando por uma vida real.

NBA constitui um mágico emblema de sonho em gestão esportiva. Ao chegar aos derradeiros instantes de seus empolgantes playoffs, o basquete profissional norte-americano revela a excelência e a prodigiosidade da indústria esportiva. Jogos inesquecíveis e históricos, cenários psicodélicos de tão modernos, envolvimento pleno da população, geniais astros. No campo técnico, o time do super-homem (Dwight Howard – Orlando) calou o entusiasmo do quase imbatível esquadrão do melhor jogador da temporada (LeBron James – Cleveland). Portas abertas para o pragmático Lakers, do monstro Kobe Bryant, levantar mais um. A rigor, todos já sabem quem será o portentor do cobiçado titulo da NBA, sobretudo os californianos. Ao frigir dos ovos, a água no chope daqueles que esperavam uma disputa verde e amarela entre Nenê e Varejão foi irrefutável. Pelas bandas de cá, a incipiente categoria engatinha rumo a primeira final do NBB, com os dois principais times dos últimos cinco anos: Universo (Brasília) e Flamengo. Contrastes à parte, é esperar os resultados para executar as ingratas comparações.

On-line é o principal termo para definir a nova categoria de voyeurismo, o digital. Twitter, Orkut dos ricos, Facebook etc. Todas essas ferramentas configuram redes improváveis e megalomaníacas. Oferecem inesgotáveis oportunidades para os observadores do privativo; da curiosidade mórbida ao que é intimo. A necessidade de autoafirmacão e de reflexo social transgride as barreiras virtuais e formatam uma patológica dependência da janela indiscreta.

Protógenes prossegue em sua interminável e inexaurível sessão de depoimentos e indiciamentos em inquéritos. A Petrobras, por sua vez, é alvo da enésima comissão parlamentar proveniente de articulações políticas em prol de apocalípticos propósitos, quase sempre não alcançados. O delegado, no entanto, hora faz as vezes de paladino, hora age como um asqueroso contraventor. Vai saber. Metonimicamente falando, a promissora petrolífera engendrada por Getulio não correrá grandes riscos, uma vez que a condução dos trabalhos da malfadada CPI estará sob os “isentos” vieses da base aliada. E o que Protógenes e Petrobras têm em comum? A letra P. Simples? Mas o mundo é simples.

Quedas são necessárias para nos depararmos com outras perspectivas de horizontes. Enxergarmos as coisas por um prisma incomum. Entretanto, e as quedas literais? Mais conhecidas como tombos, estabacos, esborrachadas. Qual a utilidade desses fugazes, traumatizantes e constrangedores momentos? Nenhuma, apenas alertar suas vitimas para que andem mais atentas. É o que devem estar pensando Caetano Veloso e Josi (ex-BBB). Pela virulência da aldeia global, suas espontâneas e instantâneas performances “bombásticas” fizeram a alegria de inúmeras repartições públicas, grupos de estudos, equipes de telemarketing, donas de casa. Resta-me, apenas, lamentar o infortúnio, além de ter me acabado em risos, e deixar o registro de mais cautela nas caminhadas dos referidos azarões, mas caminhadas mesmo!

Relações exteriores tem se mostrado a Pasta problemática do atual governo e, por consequencia, dificultado as pretensões diplomáticas de Lula. Dada como certa em uma das cadeiras da Organização Mundial do Comercio (OMC), Ellen Gracie foi preterida do cargo – que será ocupado por um mexicano. E essa não foi a única derrota do presidente e sua trupe no cenário internacional. João Sayad fora derrotado na disputa pela presidência do BID e o embaixador Luiz Felipe de Seixas Correia não conseguiu se eleger presidente da OMC. E mais turbulências se descortinam. Para a candidatura à direção geral da Unesco, o Brasil apoia o ministro da Cultura do Egito, Farouk Hosny – antissemita quase assumido, em virtude de conturbadas relações com autoridades israelenses. Até aí, o mal não está totalmente formado. O principal entrave da questão reside no fato de o governo não apoiar a candidatura do brasileiro Márcio Barbosa, atual vice-diretor do órgão, alegando desgastes pelo excesso de disputas internacionais envolvendo tupiniquins. Contudo, Barbosa prossegue no prélio e, ao que tudo indica, após França e Estados Unidos retirarem o apoio ao egípcio, o brasileiro reúne significantes chances de sair vencedor, o que, trocando em miúdos, poderá ser o certeiro disparo da bala que se alojará diretamente no pé da gestão Lula.

Susan Boyle conhecera a filosofia hedonista, cujo mote consiste na determinação do prazer como o bem supremo, finalidade e fundamento da vida moral, embora se afastem no momento de explicitar o conteúdo e as características da plena fruição, assim como os meios para obtê-la. Após anos atraindo para si a fúria do tempo, Susan rompeu sólidos paradigmas e emergiu como uma estrela. Experimentou o narcotizante efeito da fama. Por onde quer que desse o ar de sua graça, era reverenciada. Um certo festival de calouros se tornou um mero detalhe; um degrau a se galgar. Porém, a estrela era cadente, também conhecida como minúsculos fragmentos que se desprendem de meteoritos. Diante do esperado e óbvio afunilamento, a surpresa (o impacto com a atmosfera – outro ambiente, outra ocasião): o astro se esvaiu. A venerada fora relegada à função de coadjuvante, ao menos momentaneamente. Será que a máxima dos 15 esfuziantes minutos se cumprira? Somente o paradoxo do tempo trará a resposta. Susan rompera barreiras impensáveis (para sua, ate então, realidade). Livrou-se de convenções e se entregou ao simples prazer de realização (segundo ela, uma extravagância). Elevou-se. Tentou a manutenção de tal estado. Fora abalada pelo primeiro golpe. E agora? Nem José saberia…

Tênis mundial segue monocórdio. O Dartanhan espanhol domina sem grandes sustos os principais embates. E os três mosqueteiros, advindos da Suíça, Escócia e Sérvia, cada, esforçam-se para acompanhar o ritmo do messias do tênis, com destaque para o da Basileia, que acaba de conquistar a terra batida de Paris.

Ultrapassando obstáculos: esta tem sido a tônica de vida do vice-presidente da Republica, Jose Alencar. Lutar, lutar e lutar. Não pensar em fraquejar. Há momentos de arquejos mais profundos, mas não eternos. O combate se dá contra um traiçoeiro inimigo, capaz de turvar a visão dos mais experientes guerreiros. O front de batalha já está gasto, mas, nada que afete a guerra. Trincheiras sempre a postos. Batalhar.

Variedade de cânhamo esteve em voga no outono brasileiro. Carlos Minc – individuo que ostenta no nome a sigla da pasta de Cultura, mas que, nas horas vagas, exerce o cargo de ministro do Meio Ambiente – presenteou os seguidores de Bob com solene participação em uma pacifista marcha – longe de ser afanada – em busca da legalização da diamba. Eu apoio. Eu “apologizo”. Mas este reles datilógrafo pode se permitir. E o ministro? Podemos qualificar de no mínimo inusitada sua participação em um evento em que o escopo representou, basicamente, a contradição às leis que, constitucionalmente, são mantidas e guarnecidas pelo governo do qual integra.

Weeeell, mas e a “marolinha”? Pergunte ao excelentíssimo presidente da Republica. Talvez com a concordata da GM, as milhares demissões nos EUA, na Europa e na Ásia, a derrocada de centenas de bancos, Lula tenha chegado à conclusão de que, nos hiperbólicos rompantes iniciais da crise, tenha incorrido de sério erro de interpretação.

X da questão está em não procurá-lo e, sim, desenvolve-lo. Como citado no início do texto, o mundo inventa-se e reinventa-se, sempre carregando consigo novos e extraordinários registros, buscando aplacar situações conflituosas e divergentes, para, então, tentar nortear os caminhos de uma civilização com preocupantes fissuras em suas estruturas. Desta feita, o socorro é premente.

Yes, we can. Ao menos Obama está tentando.

Zzzzz

Diego Gomes

O escracho de um jornal e o poder midiático de um governo

•abril 6, 2009 • Deixe um comentário

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Desde o berço da academia, os aprendizes do jornalismo adquirem a consciência de que o mito da imparcialidade constitui algo praticamente inalcançável. Entretanto, todos têm em mente a necessidade de buscá-lo acima de qualquer coisa, independentemente dos interesses envolvidos. Porém, por mais que despendam maiúsculos esforços e travem homéricas batalhas para conferir às suas palavras o viés mais isento possível, impreterivelmente, algum resquício de pessoalidade acaba por escapar e enlear-se às veias retóricas de um texto.

Ao adentrar ao estóico universo das redações, muitos profissionais deparam-se com uma realidade que, em sua maioria, contrapõe-se aos princípios ideológicos que certamente os levaram a seguir tal carreira: a linha editorial do veiculo. Em inúmeros casos, nesse momento, o jornalista sucumbe ao paradoxo laboral. Princípios são corrompidos e a necessidade pura e simples de subsistência se sobressai, em detrimento de tudo aquilo que um dia, ardorosamente, defendeu.

Na história da imprensa brasileira, há registros de diversos veículos que, explicitamente, assumiram causas e tomaram lugares em palanques de políticos consagrados. O exemplo clássico aconteceu entre as décadas de 50 e 60, com o jornal A Última Hora, capitaneado pelo ilustre jornalista Samuel Wainer, irremediavelmente, getulista. Atualmente, nos grandes centros, existe o fenômeno da linha editorial pseudo-velada – aquela em que, geralmente, o veículo não assume publicamente sua predileção política, mas, todos, com um mínimo de discernimento, sabem qual é. Como a Veja (para o PSDB, oposição) e a Carta Capital (para o PT, governo).

Ocorre que em Brasília o cenário foge um pouco a essa realidade. Uma espécie fenômeno anacrônico (eufemisticamente falando) acometeu as páginas do principal jornal impresso da capital do país. Uma duvidosa parceria estabelecida há anos entre o governo do Distrito Federal e o Correio Braziliense tem colaborado para vergonhosos casos de como não se fazer jornalismo. Trata-se da máquina pública, utilizando-se de um instrumento midiático, para manipular massas de acordo com escusos fins – o coronelismo digital.

Para ilustrar a acusação, basta conferir a edição do diário de 8 de março deste ano. Nela, despudoradamente, o Correio protagoniza um repulsivo caso de tendencialismo na questão da possível greve dos professores da rede pública de ensino do DF. Valendo-se de sua influência financeira sobre o veículo, o GDF – principal patrocinador do Correio Braziliense, haja vista o espaço concedido às suas propagandas governamentais – recorreu às estratégicas paginas do impresso para jogar a população contra a classe dos professores. Uma série de matérias e editoriais condenando a atitude, bem como rechaçando as causas defendidas pela categoria marcou esse triste episódio da relevante história do alquebrado instrumento de comunicação legado pelo ególatra Assis Chateaubriand. No intuito de endossar as esdrúxulas e estapafúrdias justificativas, o jornal ainda utilizou-se de números que não condizem com a realidade da educação no DF, manipulando-os, para pintar um cenário de prosperidade da referida instituição social na capital.

De forma absolutamente parcial, o jornal incorporou o espírito de cabo eleitoral de seu principal mantenedor financeiro, e prestou um desserviço à sociedade, algo que somente depõe contra sua frágil credibilidade. E, convenhamos, qual é o destino de um veículo de comunicação cuja principal credencial fora derrogada e, sobre ele, lançado o aniquilador ar de suspeição? Indubitavelmente estará fadado à derrocada. Detalhe: se, também, levarmos em consideração os recorrentes erros crassos de português e os dúbios títulos que tem pontuado as páginas do impresso, o quadro torna-se ainda mais crônico.

GDF – o governo bom de publicidade

De acordo com o Tribunal de Contas do DF, a gestão de Arruda e Paulo Octávio destina vultosas fortunas à divulgação de seus feitos. São mais de R$ 160 milhões anuais, gastos na veiculação de notícias do tipo “inauguração de horta na colônia agrícola de Quiprocó” em horários nobres das emissoras de rádio e TV.

A gestão dos dois é baseada em obras, espalhafatosas inaugurações de instituições que nem sequer funcionam e lançamentos de programas que, em grande parte, já são desenvolvidos pela esfera federal. A postura configura excepcional plataforma eleitoreira, além de assegurar pródigos proventos aos empreiteiros amigos do governo, principalmente os do digníssimo vice-governador.

Contudo, em contraste com a pomposidade das ações aludidas nas propagandas governamentais, o estado da educação e da saúde brasiliense é tenebroso. A estrutura dos hospitais e das escolas é sucateada e insalubre. No atual governo do DF, o importante são os números a serem propagados em suas campanhas. Pare ele, é suficiente enxertar de alunos, até o talo, as limitadíssimas escolas da região, não importando-se com as condições as quais eles serão submetidos. Afinal de contas, o importante são os números! A situação representa um apego furioso às migalhas; tão disseminado nesta era dominada por uma geração perdida; o quantitativo sobrepuja a relevância do famigerado [para eles] qualitativo. Mas, o que esperar de um governo que sustenta um sistema público de saúde onde não há sequer um único aparelho de ressonância magnética?

Diego Gomes

Jornalismo tupiniquim em pauta

•abril 2, 2009 • Deixe um comentário

jornalismo

No dia mentira o Supremo Tribunal Federal retomou as discussões acerca da legalidade da Lei de Imprensa e, caso o tempo permitisse – e não permitiu! –, da obrigatoriedade do diploma para jornalistas. O resultado não configurou nenhuma mentira, tampouco verdade, mas, sim, uma frustração para todos os que ansiavam pelos desdobramentos do considerado dia D do jornalismo brasileiro. As duas decisões foram adiadas para o dia 15 de abril próximo.

Enquanto Ayres Brito, Eros Grau, Gilmar Mendes e Cia divagam, elucubram e defendem ardorosamente posições sobre a pauta, debruçam-se sobre volumosos e vultosos processos, atrevo-me a incursionar por esse insólito e inóspito campo.

A Lei de Imprensa, promulgada durante o afanado período ditatorial, tem por finalidade precípua, acredito, limitar e cercear o direito à livre expressão. Desta feita, tal instrumento não se faz necessário na atual composição social do Brasil e não encontra ressonância nos princípios constitucionais.

Por que impor uma lei orgânica à classe jornalística? E os médicos e advogados, que diariamente equilibram-se na frágil corda bamba da ética? O xis da questão está diante de nossos olhos: autorregulação. Ela não é a solução, mas, sim, o caminho. Os profissionais de comunicação devem pesar suas ações, levando, sempre, em conta os preceitos constitucionais, sob risco de balas da imprudência ricochetear em inocentes e, irrevogavelmente, sucumbirem ao látego das consequencias.

“Diproma”

Concordo com a obrigatoriedade do diploma para a carreira de jornalista, mas, com ressalvas. É aconselhável, para os incipientes jornalistas – incipiente em todas as suas acepções –, a imposição da necessidade do referido papelinho, até por uma questão óbvia: são jovens que optaram pelo jornalismo como profissão, mas que não carregam consigo a necessária bagagem de conceitos técnicos basilares e alicerces éticos da função. Assim sendo, partindo-se de tal condição, a compulsória passagem pelo crivo da academia torna-se indispensável.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa: Contudo, há de se respeitar e analisar casos específicos e, por vezes, isolados. Profissionais que não ostentam o aclamado documento, mas que, independentemente disso,  há tempos exercem a carreira de forma ilibada e eficaz, fiando-se em teorias mais do que discutidas na comunicação, podem, perfeitamente, dar continuidade ao trabalho, sem, sequer, serem aporrinhados. Há também os casos de profissionais bem sucedidos em suas carreiras e que, ademais, dominam as nuances e matizes do fazer jornalístico – Dráuzio Varella e Jairo Bouer, por exemplo. Estes devem ser preservados e exaltados, pois, além da profissão de origem, desdobram-se para aventurar-se em outra, com o único e exclusivo propósito de prestar algum tipo de serviço à sociedade. Afinal de contas, infelizmente, na faculdade de jornalismo não somos submetidos a nenhuma espécie de ciência. Apenas debatemos questões pontuais da profissão e apreendemos técnicas de ordem laboral.

Agora, valendo-me da inconteste máxima da teoria do caos propagada “brasileiristicamente” pelo samba do crioulo doido, digo: não é qualquer um que pode chegar à pastelaria e solicitar o pastel com o mais saboroso palmito. Por aqui não, jacaré. Corredor do ônibus para os amadores. Um mecânico não pode [e não deve] puro e simplesmente ser acometido por um lapso de brilhantismo retórico e, movido pela súbita genialidade, colocar-se a serviço de um veículo de comunicação, disparando sua metralhadora repleta de impropérios e incoerências. A este ser, além de um manicômio, deve ser inquirido a cláusula vital do “diproma”.

Enfim, o que, estoicamente, defendo aqui nada mais é do que a flexibilização de uma lei que, desde os primórdios, suscita acaloradas discussões, nem sempre produtivas. Não há espaço para intolerância em um Estado livre de direito. Regras inexoráveis equiparam-se a sistemas controladores e repressores [veja bem, não estou clamando por uma regulação frouxa; anseio pela adaptação a uma realidade ou a um contexto]. Entretanto, não pensem que a mera formação acadêmica é requisito suficiente para obtenção de êxito no jornalismo. Sobretudo nessa incógnita profissão, na qual a carga de conhecimentos exigidos demanda extrema dedicação e, poeticamente falando, um pouco de talento. Logo, acompanho com críticos olhos aquilinos a proliferação desenfreada de cursos de comunicação pelo Brasil – não é um bom sinal e, menos ainda, referência de excelência para qualquer segmento.

O ideal: Uma medida salutar que amainaria os ânimos e acachaparia as polêmicas, seria a transformação do curso de jornalismo em uma especialização. Até porque, como já frisei antes, as atividades do curso não nos contemplam com uma ciência. Então, todos aqueles graduados, crentes de que poderiam trilhar um caminho de sucesso na comunicação social, poderiam especializar-se e enveredar-se por essa apaixonante seara.

Diego Gomes

Pílulas, sempre pílulas

•março 23, 2009 • Deixe um comentário

pilulas

Sarney – A reafirmação da velha raposa

Há alguns dias, li em algum semanário um texto cujo mote era a associação entre a figura mitológica da Fênix e o “novo” presidente do Senado Federal, José Sarney. Prontamente discordei. Para que tal alusão procedesse, seria necessário que o objeto de comparação (no caso, o ex-presidente da República) tivesse atravessado um período de entressafra, de ostracismo, de reclusão social, para, então, em um dado momento, ressurgir gloriosamente das cinzas. E, convenhamos, tal condição não se aplica ao histórico do coronel-mor do Maranhão, Amapá…

Sarney é sem sombras de dúvidas um dos políticos mais astutos e matreiros de todos os tempos. Soube preservar seu curralzinho ao ponto de expandi-lo a outras “fazendas eleitoreiras” e prover frutos ao senador há mais de duas décadas (com prósperas perspectivas, ainda). Tolos aqueles que crêem na tese de que a velha raposa não ostenta propósitos ideológicos. Sarney carrega consigo uma ideologia própria, única, totalmente peculiar e moldada ao perfil que traçou para fazer história na política brasileira. Maleável, austero e perspicaz: com esses ingredientes soube encher seus bolsos, estabelecer alianças inimagináveis, apoiar causas infundadas e sair incólume de situações adversas. O senador deve se fiar na célebre frase proferida por Getúlio Vargas às vésperas do suicídio: “Só morto sairei do Catete”. Adequando os dizeres do maior líder populista que o Brasil já viu à realidade “sarneyana”, seria da seguinte forma: “Só morto sairei da Esplanada, não importa se é ministério, Câmara ou Senado”.

Santo Carnaval

Malditos os hipócritas arautos da razão que apregoam que o Brasil goza de número excessivo de feriados. Certamente os autores de tamanha bravata jamais trabalharam suficientemente para constatar a necessidade de hiatos em meio a estressantes e exaustivas rotinas de dedicação a alguma atividade. Portanto, saudemos os carnavais, as semanas santas e os feriados que divinamente coincidem com uma quinta e, por consequência, são emendados com a sexta.

Fome de bola

O Brasil papou a Itália. Os ingleses se fartaram na Europa. E o Palmeiras, por sua vez, foi tragado pelo Colo-Colo. O verde da esperança tomou um tom esverdeado anêmico, digno das sôfregas diarreias. O Botafogo ergueu a taça que não serve nem sequer para tomar um chope. Vê o Sport jogar é de dar apetite em qualquer um. Presenciar a redenção do alcunhado fenômeno, Ronaldo, dá má digestão nos etíopes e esperanças aos voluptuosos seres devoradores de bolos, lasanhas, travecos…

Música, Brasil, shows, regressos, rinoplastias…

Michael Jackson anunciou o tão ansiado regresso aos palcos. Somente os londrinos terão o privilégio de contemplar a lenda (quase) viva do pop moderno devidamente rinoplastificada em toda a grandiosidade de sua bizarrice. U2 lançou seu novo e revolucionário álbum. Pegando carona na onda das novidades, com bem menos maestria, Lilly Allen e Kelly Clakrson também depositaram suas sementinhas no árido solo da indústria fonográfica. E, aparentemente, o Brasil é a nova coqueluche das rotas de shows e espetáculos de consagrados artistas internacionais: O Iron, decadente ou não, já está aqui. O Radiohead aportou em solo tupiniquim. O Oasis afirmou que vem. Para quem gosta, Jonas Brothers também.

Março de 2010 – um ano em um mês

Nem o mês findou, e Março já coleciona uma seleta lista de casos e acasos que pontuarão as proféticas retrospectivas de finais de ano. A começar por um perturbado que acachapou a cabeça da esposa com um extintor de incêndio, roubou um aeromotor na conhecidíssima cidade de Luziânia, aventurou-se nos céus do Cerrado ao lado da pobre filha de cinco anos e colocou um ponto final trágico (que poderia ter sido “hiperbolizado”, caso o alvo do terrorista candango realmente tivesse sido atingido) a essa epopeia do Centro-oeste. Em contraste com a desgraça, o milagre: Hebe completou 80 anos com a mesma quantidade rugas de quando ela completara 60. O CQC voltou a dar sentido às noites de segundas-feiras. O Oscar 2009 nunca foi tão contemporâneo e cosmopolita: contemplou com as principais estatuetas uma produção inglesa baseada na Índia, premiou (quase que pelo conjunto da obra) a talentosíssima britânica Kate Winslet e coroou o papel de um homossexual vivido magistralmente por Sean Pean. Por fim, o monstro Fritzl foi justamente condenado a passar o resto (e os dejetos) da vida vendo o sol nascer quadrado, retangular, elíptico.

Clô

E o Clô se foi. Ele, sim, merece um parágrafo, quiçá um post, somente em sua homenagem. Chacotas, mixórdias e polêmicas à parte, Clodovil marcou época. Estilista, apresentador, deputado federal e gay. Em uma época em que a normalidade se restringia à mediocridade e submissão ao sistema, Clô incorreu de anormalidade descomunal. Em plena ditadura, um garoto de origem humilde ascendeu socialmente encabeçando causas jamais discutidas publicamente: moda feita por homens e o homossexualismo. Se valendo de uma indefectível língua ferina, Clodovil cavou seu espaço na sociedade, irrompeu paradigmas, suscitou questões éticas, desafiou barões, bem como adentrou ao inconstante e temeroso campo político. No Congresso não teve tempo para executar as ações revolucionarias que prometera, mas, nem por isso, deixou de escrever seu nome na História brasileira. Au revoir, Clô!

Diego Gomes

Brasil em crises diplomáticas?

•março 22, 2009 • Deixe um comentário

crises_diplomaticas

Historicamente o Brasil sempre primou por nutrir relações diplomáticas estáveis. Contudo, nos últimos meses, três casos em especial macularam a imagem de bom samaritano das relações internacionais: o controvertido Cesare Battisti; a esquizofrenia (fortuita?) em série gerada pela brasileira supostamente atacada por neonazistas na Suíça; e a disputa do norte-americano David Goldman pela guarda do filho Sean, oito anos, que vive no Rio de Janeiro com a família materna.

Os três casos desencadearam contingenciais crises diplomáticas com Itália, Suíça e Estados Unidos. Mas, a condução política em cada uma delas foi distinta. No caso Battisti, embora os protestos de todos os setores sociais da Itália tenham sido ostensivos e categóricos, o Brasil estava guarnecido constitucionalmente – cedeu asilo a alguém que se sentia perseguido politicamente em seu país de origem.

Quanto à brasileira supostamente grávida de gêmeos que bradou aos quatro cantos que teria sido alvo de agressões por parte de neonazistas, uma série de injustiças e atrapalhadas sucederam-se. Paula Oliveira, 26 anos, atribuiu os ataques a integrantes do Centro da União Democrática – partido segregacionista que defende a expulsão de imigrantes do país, sob o mote da valorização da população local e qualificação do mercado de trabalho. Diante dessa azáfama esfuziante proporcionada pelo impacto de tal notícia, nenhum veiculo de comunicação ou autoridade brasileira, antes de assumir algum partido, se preocupou em verificar e apurar minuciosamente os detalhes contraditórios da malfadada história. Em vez disso, rechaçaram veementemente o governo suíço e repudiaram a policia local. Passaram-se alguns dias, ânimos foram amainados e, aos poucos, deflagraram-se contradições irrefutáveis, e os equívocos de uma esdrúxula história se desvelaram, o que, provavelmente, contribuiu para configurar uma das maiores barrigas do jornalismo brasileiro.

O caso Sean adentrou ao insólito campo diplomático no ano passado, quando a mãe do menino faleceu durante o parto do segundo filho. A partir de então, o pai biológico, que mora nos Estados Unidos, trava dramáticas batalhas com a família materna do garoto, sobretudo com o padrasto. A NBC veiculou matéria especial sobre o caso com uma hora de duração, a imprensa “urubu” internacional não se cansa de disseminar o infortúnio e o tema já foi pauta de conversa entre o presidente brasileiro e o norte-americano, Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama.

Colocando as coisas em um tom mais pessoal, sinceramente, não tenho uma posição consolidada com relação ao caso. Em tese, o filho deveria ficar com o pai biológico, mas, há todo um contexto familiar que o circunda e dificulta a conclusão do processo. No entanto, não enxergo razões salutares para conferir à história tamanha exposição.

Diego Gomes

A mais incondicional paixão existente

•fevereiro 8, 2009 • Deixe um comentário

pintura_futebol

Com mais uma temporada de campeonatos estaduais aportando em nossas telinhas e radinhos a pilha e o início de mais uma saga de abnegados seres, que, em função do fanatismo e devoção, incorrem a verdadeiras romarias em direção aos templos de seus clubes do coração para prestigiá-los e demonstrar toda a incondicionalidade do amor despendido a eles, torna-se praticamente inevitável para um parco observador do comportamento humano não levantar a seguinte questão: Como explicar essa relação extremamente duradoura, fiel e passional entre um torcedor e o seu time?

Pela natureza ocidental, o envolvimento entre humanos é susceptível a quaisquer tipos de traição, sob risco de colocar em xeque pilares precípuos de um relacionamento, frustrar expectativas, irromper barreiras éticas, suscitar traumas. Dificilmente relações são retomadas em sua normalidade após o advento da traição, carregando consigo máculas e sequelas. Entretanto, no caso da parceria estabelecida entre o torcedor e seu clube do coração, existe uma série de peculiaridades: um verdadeiro torcedor ama seu time independentemente de contrapartidas (títulos e vitórias), sofre terríveis revezes, se desespera, se descabela, acha que o mundo acabou e, no próximo campeonato, torce com a mesma vivacidade e angústia.

A tão aclamada e reivindicada fidelidade é facilmente identificada nessa inusitada relação. Tomemos como exemplo, então, o homem brasileiro. Ele consegue aceitar a perda do titulo, nos pênaltis, de uma final da Libertadores, mesmo após se debulhar em lagrimas e ameaçar abandonar a penosa vida de amante do futebol, contudo, não é capaz de perdoar uma simples pulada de cerca da namorada.

O detalhe curioso é que há infinitamente mais probabilidades de se deflagrar prazeres em relações convencionais do que na ingrata e temerária paixão por um clube. Muitos alegam a intensidade dos sentimentos envolvidos. Por mais escassos que sejam os momentos de fulgor, uma vitoria diante do grande rival, a conquista de um titulo após longos anos de jejum, a redenção de um rebaixamento, a ascensão a uma divisão de elite proporcionam sensações singulares, incompreendidas por aqueles essencialmente ligados a instâncias mundanas e que, por conta dessa condição, desconhecem essas irresistíveis investidas em veredas quase sobrenaturais.

O alumbramento proporcionado pelo agonizante e, por vezes, terrificante ato de contemplar o time em um jogo qualquer, que não significará nada para pretensões futuras, através das imagens de uma TV, configura um ritual cabalístico, de modo que, se eventualmente interrompido, a reação é consensual entre os fanáticos: refutar tentativas de aproximações e rechaçar categoricamente críticas provocadas por tal situação de cancelamento do mundo exterior e total imersão nos mínimos detalhes do esquema tático do plantel idolatrado.

Enfim, não adianta questionar e, tampouco, tentar modificar o quadro, pois a relação torcedor/clube do coração é inexorável, inapelável e ímpar, capaz de resistir a longos períodos de entressafra, monumentais frustrações, venenosas cóleras e se perdurar para todo o  sempre, constituindo-se, assim, em uma das mais intensas e fiéis conexões existentes (a de mãe e filho é outra história, mas, também não é totalmente imune a grandes emboscadas…).

Diego Gomes